sábado, março 26, 2011

Carta para alguém

Ela gosta de mim, diz ela. Fato pelo qual penso como possível uma menina- mulher que tão facilmente me faz sorrir diz que não só que ficar comigo, como precisa ficar comigo. Me pergunto sempre qual é o motivo desse gostar, o que eu fiz para construir esse sentimento que existe no coração dela. Achei que a resposta fosse praticamente um teorema de Pitágoras, mas depois de tanto refletir sobre o assunto percebi que a resposta chegaria a um simples nada. Nada eu fiz pra que ela gostasse de mim, como nada ela fez pra eu gostar dela. Sim, ela não fez nada. Nada alem dela. Lembro-me bem quando ela ainda menina andava com as perninhas um tantinho tortas até o lixo da sala, não a reparava, nem na maneira de andar, mas olhava sem me fixar em detalhes. Mas um dia me fez reparar em cada detalhe da sua simples ida ao lixo da sala, sentada ela estava na primeira classe, já estava a olhando, caminhou até o lixo. As pernas pareciam tortinhas, mas aquele caminhar era realmente lindo, era único e dela. Sentou-se novamente na mesma classe, na mesma posição e com a calcinha fio-dental aparecendo. A partir daquele dia, seu caminhar torto, e não apenas até o lixo, era acompanhado pelos meus olhos.
Hoje seu caminhar não é mais torto, mas não perde nunca seu jeito único, seu caminhar tem um porte, uma elegância, e quando reparada não faz mais cara de susto, mas sim um sorriso no rosto acrescentado por palavras ‘’o q foi amor?’’. E a minha resposta é sempre a mesma ‘’nada’’. Nada, foi do nada que eu a amo. Olho para varias pessoas, mas é por nada que ela é a única que consegue um olhar diferente de mim.
Motivos, temos muitos. Mas porque não gosto então de outra, que pode ter muito mais qualidades. Porque a outra pode ter o simples nada que ela tem, mas não tem o nada que torna tudo. O tudo o nada caminham junto com seu novo andar. É o simples que faz eu a amar. Tudo que construímos desde seu caminhar de menina até o lixo da sala até seu caminhar de mulher até a frente do espelho do corredor da sua casa, nada conseguiria apagar, ou fazer com que o tudo se torne nada, e nem que o nada se torne tudo. O simples é sempre presente em nossa vida, somos simples, nossas brigas são simples, demais até. É pelo simples que brigamos, vou deixar o complicado teorema de Pitágoras quando a pedir em casamento. Não, não pense que é difícil querer casar com ela, mas sim não é simples pedi-la em casamento. Que palavras usaria alem do ‘’quer casar comigo’’, simples palavra e simples gestos adiantariam nessa hora, mas o simples aí se tornaria complicado, falar de sentimentos não é fácil, não é simples. Sentir é simples, falar, e não apenas dizer ou o falar por falar, não é falar com os lábios, é falar com o coração. E isso sim, não é fácil. Por isso que eu penso, que quando esse dia chegar vou apenas olhar pra ela, em silencio. O silencio não é simples, ele pode ser vago e vazio, mas com o sentimento ele se torna intenso e excepcionalmente complicado, nenhum silencio é igual a outro silencio. Aí podemos aplicar mais um exemplo como em nossa vida juntas o nada se torna tudo. Um silencio se torna frases, se torna sentimentos.
Enfim, somos a evolução do nada. Seu caminhar desajeitado não mais combina com meu caminhar de mocinha, mas seu caminhar elegante combina com meu andar protetor. Sua risada expansiva não combina mais com minha risada expansiva, mas seu sorriso agora mais do que perfeito combina com minha tentativa de um sorriso mais bonitinho. Seu cabelo liso não combina mais com meu cabelo longo, mas seu cabelo ondulado combina com meu cabelo curto. Seu all star vermelho não combina mais com meu all star quase branco, mas sim seu salto quase branco combina com meu all star quase preto.
Tudo muda, mas nada se perde, assim como nada se cria tudo se transforma. E essas ultimas não são minhas palavras, provando que o TUDO e o NADA andam sim juntos sempre. Assim como ‘’sou teu céu, teu inferno, tua calma. Eu sou teu TUDO sou te NADA, minha pequena és minha amada.’’ E essas ultimas palavras também não minhas.
Somos opostos, imãs, amigas, inimigas, vilãs, micinhas. Amantes, namoradas, casadas.
O nunca se tornou sempre ao seu lado.
Espero que o meu simples nada continue caminhando com nosso complicado tudo

Basta ser

Quantas pessoas você já  salvou até agora? Já pensou em pelo menos salvar alguém?
Com certeza em sua cabeça, salvar alguém seria agarrá-la antes der cair do 8º andar de um prédio, tirar ela de dentro do mar e fazer uma respiração boca-boca, pula na frente de um carro para salvar alguém de um atropelamento.
Não deixa de ser um modo de salvar a vida de uma pessoa, mas não é disso ou apenas disso que se trata um herói. As vezes estamos diante de um problema sem solução, e vem a mulher maravilha ou outro qualquer nos mostrar aquela ‘’luz no fim do túnel’’, e essa pessoa salva nossa vida.
Pelo menos, você não coloca em risco a sua própria vida para ser um herói, afinal, você também adquiriu o direito à vida ao nascer.
Escolhas e problemas são o que mais coloca nossa vida em risco, não digo no sentido morte, mas no sentido felicidade.  E o mais estranho é que sempre tem um super-herói que vem para no auxiliar. Você pode perguntar a solução pra ele e ele pode dizer ‘’não sei’’, mas não é a resposta dele que vai te guiar a algum lugar, afinal ninguém decide por você. É o apoio, a companhia desse alguém que vai te ajudar a chegar a algum lugar.
Reformulando a pergunta. Você já pensou em apoiar alguém? Já pensou em ser alguém pra alguém? Já me falaram isso, achei que ser alguém pra alguém fosse uma idéia tola, e que servia para um pequeno numero de pessoas.
Basta ser alguém para ser ‘’alguém pra alguém’’, basta ser amar para amar ao outro. Estar com alguém que você ama e que retribui esse carinho faz você se sentir o herói pelo menos da própria vida. Podemos ser felizes sozinhos, mas uma soma não faz mal a ninguém.
Ser especial. Já pensou em ser especial? Sim, você é especial, pelo menos para um alguém. Você vive, você respira, você cumprimenta as pessoas a sua volta, você beija alguém e é retribuído, e não apenas isso, você convive com alguém e esse convive com você. Você briga, xinga, magoa. Mas faz feliz, se torna feliz. Faz o outro sorrir ou rir de uma piada completamente sem nexo, uma piada não inteligente. Alguém rir de uma voz engraçada. Você é alguém para alguém, precisa mais que isso?

Livro parte I

Dia 23 de Outubro de um ano qualquer, noite estrelada um tanto quanto fria. Estava eu na fila de uma festa no Party’s club. Minha melhor amiga, Betty Feinston, ao meu lado de beijos com um desconhecido segurando uma garrafa de Martini quase vazia.
Entrando na festa estava mais preocupada em esconder aquele chupão adquirido na fila, do que em me divertir. Betty Feinston tentava me animar com suas risadas extremamente escandalosas, mas algo ainda me intrigava, afinal no outro dia tinha que estar no estúdio as 10:30 da manhã , ou seja , deveria estar dormindo aquela hora da noite, mas fui convidada para fotografar durante a festa.
Betty Feinston, 22 anos, atrapalhada e risona, estava linda aquela noite. Com uma maquiagem impecável, usava uma saia rodada com uma blusa justa preta que fazia os homens querem pagar- lhe uma cerveja. Eu não estava muito diferente, pois fomos de par- de- vaso (afinal era uma festa a fantasia programada pra ultima hora), mas diferentemente dela, espantava todos os homens à minha volta pelo humor duvidoso que eu estava aquele dia.
O único que me fazia rir e me acalmar era Daniel Stevens, um amigo um tanto assanhado mas divertido, embora com segundas intenções me fazia bem, mas na minha cabeça passava longe a idéia de ir além de uma amizade.
Estávamos lá eu e ele em um jogo da verdade improvisado, e no final da festa, me encontrei aos beijos com Daniel.

Presa aos desejos

Diz que sonhos é o que está em nosso subconsciente. Talvez desejos, pesadelos nossos medos.
Antigamente os sonhos eram tidos como apenas efeitos de um trabalho desconexo, produto de estímulos fisiológicos. Com estudos vimos que o sonho é muito mais que meros pensamentos do subconsciente sem conexão nenhuma com nossa vida.
Sonhar é um privilégio do ser humano. Apesar dos pesadelos, às vezes podemos realizar desejos que nem sabemos que temos. Sonhar com o futuro, presente e passado.
Corria, não sabia de que ou de quem. Gritava, sabia que ninguém a estava ouvindo, mas gritava. E continuava a falar com pessoas e pedir ajuda para quem nunca havia visto na vida, seriam pessoas reais? Ela seria real, pois as pessoas conversavam, não com ela, ela conversava, sozinha, pois ninguém a atendia.
Começou a se desesperar, quando de repente o cenário mudou. As ruas começaram a se entrelaçar, formaram-se novos prédios, apareceu novas pessoas e sumiram outras. E essas a ouviam. Chamavam-na o tempo intero. Ela parecia alguém importante, suas roupas haviam mudado. Ao sair do prédio que estava, olhou a fachada e lá estava seu nome.
Começou a andar pelas ruas, parecia saber exatamente o caminho de casa. Havia um homem na sua sala, estava ele em silencio, ela parecia conhecê-lo. Crianças choravam, mas ele não atendia seus chamados, ela foi em busca do choro, eram seus filhos. Voltou a sala e pediu ajuda, ele respondeu grossamente e saiu de casa. Ela parecia amá-lo, mas não era retribuída. Voltou para o quarto colocou seus filhos no colo e chorou junto com eles. Algo dentro de si via que novamente havia algo errado, tinha fama e dinheiro, mas não tinha amor que em toda a vida tinha aprendido a valorizar com seus pais. Desejou outra vida.
O cenário já era outro, estava deitada, em sua casa. Tentou levantar, mas estava amarrada, haviam médicos as redor de sua cama. Desejou apenas serrar os olhos, era infeliz quando ninguém a escutava, era infeliz quando todos a ouviam mas uma pessoa não respondia seus chamados. Era infeliz em sua casa. Então começou a desejar algo, desejar algo que já tinha, desejou sua vida, desejou levantar da cama. Ninguém a ouviria, se não escutasse a si mesma. Ninguém a amaria, se não amasse a si mesma. Então cansada abriu os olhos e levantou, não estava mais presa aos seus próprios desejos, estava livre do seu próprio controle.
Acordou, a testa estava molhada e suava frio. Não conseguiu se levantar de primeira, estava congelada na cama. Por um momento pensou que o acontecimento de segundos atrás fosse realidade, percebeu então que tinha sido o produto do seu subconsciente, foi um sonho, ou apenas o produto de algum de seus desejos.

Primeiro texto

Não sou escritora, pois escrever é arte, e não sou artista.

Arte é um campo é uma área do conhecimento. E não possuo, ainda, esse conhecimento. Talvez nem conheça, pois para começar preciso de 5 anos de conhecimento, e ainda tenho um ano e meio. E mesmo assim, não serei escritora, pois meu campo de conhecimento seria outro, aprenderia a não construir palavras, mas construir edificações, ou quem sabe, construir a justiça.

Sou apenas leiga, escrevo textos sem conhecimento técnico, o por isso existe o blog. Para apenas expressar palavras, pensamentos do cotidiano, da vida. As vezes contos, um tanto quanto interessantes, ou quem sabe, um pedaço de um livro que pode ser publicado ainda, mas não classificaria uma pessoa de escritora, a não ser que ela seja artista.

Primeiro texto do blog é curto, e bastante simples. Não estou aqui para escrever bem, nem mal, apenas para escrever.